Crítica - Super Mario Galaxy - O Filme (The Super Mario Galaxy Movie, 2026)
Ilumination estragando mais uma franquia?
Três anos depois, cá estou novamente para cobrir o lançamento de mais um filme do Mario (sim, esse mesmo, e sim, eu repeti a mesma piada do texto de três anos atrás). Se você leu minha resenha sobre "Super Mario Bros. O Filme" (2023), lá eu dou uma situada de como é a minha relação com a franquia Mario, como é algo que marcou a minha vida desde a infância e como isso perdura até hoje na minha vida, como foi importante na relação familiar que eu mantenho com alguns parentes e tudo mais. Eu gostei muito do filme anterior, muito mesmo, cheguei a dar até 9/10 na estreia (emocionado? Sim, demais, mas isso mostra o quão importante aquilo foi para mim). É um filme bobo? Infantil? É. Mas quando tentaram fazer um filme sério e adulto do Mario, saiu aquela bosta inassistível dos anos 90, então eu prefiro algo bem feito que seja bobo e infantil do que algo sério e adulto mal feito. Entretanto, qual o limite da bobagem? Qual o limite da infantilidade? Quando que isso deixa de ser uma opção artística e passa a ser uma opção capitalista pelo lucro e pelo marketing? A questão é que passa a ser desde a criação do projeto, claramente isso foi pensado como um projeto capitalizando em cima da marca, e deu certo a primeira vez, tão certo que o tanto de coisa de Mario que eu consumi naquele ano foi piada. Agora, será que o raio consegue cair duas vezes no mesmo lugar? Ou toda a emoção ficou lá pelo primeiro filme mesmo?
Após os eventos do filme anterior e a captura de Bowser (Jack Black), os irmãos Mario (Chris Pratt) e Luigi (Charlie Day) se estabeleceram como heróis do Reino dos Cogumelos, sendo verdadeiras lendas do universo. Porém, quando Bowser Jr. (Benny Safdie) surge para buscar o seu pai, e conquistar seu objetivo de dominar o universo. No caminho, ele sequestra a Princesa Rosalina (Brie Larson), que manda suas Lumas pedirem ajuda à Princesa Peach (Anya Taylor-Joy). Com isso, Peach parte em sua jornada, que logo depois Mario e Luigi são obrigados a ir atrás, pois Bowser Jr. está indo atrás deles, mas agora eles contam com seu novo parceiro, Yoshi (Donald Glover). Cara, na real que eu me forcei para buscar uma história para esse filme, já que ela é um grandioso nada. Aqui não passa de um compilado de situações desconexas e preguiçosas que parecem ter sido escritas pelo ChatGPT. O primeiro ele recebeu críticas por ser "simples" e "raso", mas aqui não é nem isso, aqui é uma história inexistente em uma narrativa que só quer justificar seus visuais, suas piadas ruins e diversas roupas de personagens para vender mais brinquedos. O primeiro não tinha uma história tão boa, mas era eficiente dentro da narrativa, criava uma jornada divertida. Aqui, torna-se cansativo muitas das vezes. Se divide em tantas histórias que não é difícil se perder no que acontece, muda de rumo diversas vezes, não existe fluidez e nem impacto genuíno em praticamente nada.
Vi recentemente relacionado à este filme o clássico: "não liguem para os críticos, esse é um filme feito para fãs", e vou te falar, é uma fala que as vezes se encaixa em diversas obras, mas aqui não é uma delas. O primeiro é, mas essa sequência não dá para se encaixar aqui de jeito nenhum. Eu falo com propriedade porque eu sou um fã. Não sou dos mais assíduos, não sou dos que mais acompanham, mas ainda sim sou um fã, marcou demais minha vida, e tenho de falar: os fãs não tem de se contentar com algo preguiçoso e vagabundo que nem esse! Não existe um mundo que tem que se acomodar e aceitar algo feito na pressa e no cansaço igual a esse filme e aplaudir a vagabundagem que existe aqui. Em alguns momentos passa a ser inacreditável. O Bowser muda de personalidade repentinamente umas três vezes durante o filme, praticamente do nada, sem desenvolvimento nenhum, ele simplesmente muda de personalidade mais de uma vez com uma coisinha mínima ou outra como motivação e eles acham que é suficiente. A história desse filme não existe, não tem uma direção para a trama. O primeiro filme ele podia ser tudo, mas pelo menos ele tinha uma coesão narrativa, uma estrutura de três atos bem definida e que funcionava dentro da proposta. Aqui, não existe atos, é só um bando de cenas jogadas, cenas que eles queriam fazer e deixaram o resto de lado, com certeza complementaram com IA, não é possível. E aí vem a reclamação: "está reclamando muito para um filme infantil", mas eu te falo: só fazia parecido com o primeiro e tava legal, mas aqui não tem isso, aqui soa só como uma grande propaganda da Nintendo de uma hora e meia.
E note que eu falei Nintendo, porque sim, acredite se quiser, já no segundo filme começaram a explorar o universo cinematográfico da Nintendo, expandindo e apresentando personagens de diversas franquias da empresa. No primeiro já tinha o Donkey Kong, mas tudo bem, o DK é um personagem incluído desde sempre no universo do Mario, mesma timeline, personagem originalmente da mesma franquia mesmo tendo gerado uma gigantesca sozinho depois. Agora, irmão, você me trazer e dar função narrativa ao Fox de "Starfox" é meio ridículo, é bobo num nível que não dá para acreditar. Parece aqueles memes de "portais se abrindo em Vingadores" e aí vai saindo o Toretto, o Chapolin Colorado e outros, porque é a mesma vibe. Assistam o filme e vejam a cena de introdução dele, vejam se não é praticamente a mesma coisa. Cara, eu não sabia que ele estaria no longa, fui pesquisar e já tinha sido anunciado na semana passada, inclusive ele é interpretado pelo Glen Powell, que é um dos atores que mais curto na atualidade, mas irmão, eu achei de uma preguiça absurda já enfiarem ele aqui. Claramente é um fanservice barato, para vender brinquedos e criar esse universo compartilhado para fazer um longa de Smash Bros no futuro. Mas, honestamente, meu problema nem é ele em si, é que foi muito cedo, já tão tentando extrair o máximo de leite da vaca da Nintendo e nem começou direito. Tem que dar tempo ao tempo, tem que dar uma consolidada a mais, mas eles não se importam com isso. História? Narrativa? Construção? Para quê? O importante é os bonecos. É triste, mas é a realidade.
Percebam que até agora eu não falei sobre os personagens do filme, sabe por quê? Porque eles são um grandioso NADA. O Mario nesse filme não é NADA. Luigi = NADA. Peach = NADA. A Peach até tentam dar um arco para ela, mas é só uma tentativa mesmo, porque é tão rápido e explorado de uma forma tão rasa e apressada, que não cria apego nenhum, não existe emoção nenhuma em nada do que ela faça relacionado ao arco dela por aqui, são mais informações jogadas que não colaboram para nada na trama. Aí tem o Toad (Keegan Michael-Key) que também não é nada, ele era já um coadjuvante no anterior, mas ele era divertido, tinha bons momentos, aqui ele é um NADA, é um figurante de luxo. E o Bowser, que nem eu falei, é inconstante. O arco dele muda tantas vezes dentro da trama que eu me perdi, eu confesso que eu cheguei num ponto de não estar entendendo mais como o Bowser chegou naquele momento daquele jeito, porque acontece tanta coisa com tanta pressa e absolutamente nada é tratado com uma mínima urgência, que termina que nada causa uma sensação genuína, o máximo de emoção que eu tive foram risadas isoladas em piadas funcionais, mas com a trama em si, zero.
Mas, o maior desperdício é você fazer um filme chamado SUPER MARIO GALAXY, adaptar um dos grandes jogos de todos os tempos da franquia Mario, que tem uma das melhores personagens em conceito, uma das mais poderosas, que é a Princesa Rosalina, colocar uma atriz fenomenal, vencedora do Oscar, para interpretá-la, que é a Brie Larson, e ela ser mais um NADA no filme. Cara, não dá para acreditar, eu fiquei em choque que a Rosalina tem no máximo três cenas durante o filme. Chega a ser bizarro. Pior é que a cena inicial é dela, e é uma cena fantástica de ação, que tem um tom ali quase fabuloso, é bonito, o conceito, e ela depois na mesma cena tendo um momento de ação gigantesco contra o Bowser Jr, irmão, ali eu tava empolgado, eu tava maluco, parecia que ia vir algo brabo pela frente. O resto do filme foi me tirando aos poucos, eu tava nas nuvens e aos poucos fui tendo minha queda brusca até o chão. O único personagem legal aqui é o Yoshi, e é mais porque existe um fator novidade na participação dele do qualquer outra coisa. Mas ele é bom, carismático, momentos fofinhos, engraçados, que nos fazem gostar dele. Ele é construído nos detalhes, são os momentos que ele está non fundo ou do lado que constroem essa comicidade encima dele e funciona perfeitamente. Carregou o filme nas costas, sozinho.
Sozinho não, tem diversas qualidades no filme, mas são todas técnicas, honestamente. O visual é magnífico, todas os cenários repetidos do primeiro filme funcionam, mas as adições, especialmente como funcionam os sets na galáxia, a direção de arte é magnífica. O início, com o planeta da Rosalina, remetendo ao jogo original do Mario Galaxy... Cara, ali eu fiquei iludido, ali parecia que eu estava prestes a vivenciar mais uma baita experiência com a franquia. Que pena. E além do visual, o que salva, e digo até que bastante, sustenta o longa diversas vezes, é a música. Primeiro que retiraram o excesso de canções licenciadas que tinha no anterior, deixando o fluxo narrativo bem melhor para algo que já é calcado em nostalgia, sem A-ha, sem AC/DC, focaram nas re-mixagens dos temas clássicos misturados com a trilha incidental do Brian Tyler e aqui, novamente, funcionou mais uma vez. Existem temas sensacionais, especialmente os que estão remetendo ao jogo original do Galaxy, que de vez em quando parecia a cena do Anton Ego em "Ratatouille", me levando de volta à minha infância, mas que não foi o suficiente dessa vez. Especialmente no início tem boas faixas, a trilha do deserto com eles andando de moto é muito boa, o tema do Bowser Jr. também é muito bom. Não teve uma cançãozinha chiclete dessa vez igual "Peaches", mas pelo menos o Fallon resolveu isso botando o Jack Black cantando no programa dele a "The Ballad of Super Mario" e é sensacional, mais um ano consecutivo de Jack Black lançando uma pedrada no primeiro quadrimestre.
Enfim, infelizmente, não deu dessa vez para mim com "Super Mario Galaxy - O Filme". Muito focado em produtos, em uma construção de um universo compartilhado que sequer começou direito, pouco focado em algo que realmente interessa ou crie o mínimo de emoção genuína por algo que é realmente bem feito em cena. "Ah, é um filme para os fãs, esqueça a crítica". Irmão, isso vale para o primeiro filme, mas nesse segundo não vale nada. Eu sou um fã, e eu não vou me contentar com esse produto preguiçoso e feito de qualquer jeito cujo a única coisa que busca é o mais puro suco de capitalismo barato que existe. A desgraça conhecida como Ilumination falou mais alto do que a Nintendo dessa vez e disso saiu um pouco do pior que a Ilumination tem a oferecer. Eles não só colocam referências à Nintendo para justificar um possível filme de Smash Bros. aqui, eles vão além e tem até a desgraça de um minion no filme em um certo momento (não tem destaque, é só no fundo, mas eu vi, e honestamente preferia nem ter visto). Visualmente bonitinho, músicas excelentes do Brian Tyler, ótimas adições como o Yoshi, mas deixa de lado os protagonistas, que se dividem tanto que você não liga para nenhum deles. Bowser Jr. é um vilão raso cujo você não liga para o propósito. Bowser é um personagem inconsistente e mal trabalhado por aqui. Mas a pior de todas é a Rosalina, que abre o filme com uma cena espetacular e acaba por ali, eu me esqueci que ela existia até o final. Uma pena, cara. Tava empolgado, mas depois de assistir, qualquer empolgação com essa franquia sumiu numa tacada só.
Nota - 5,0/10