Crítica - Stranger Things 5 (5ª Temporada, 2025)
O fim de uma era.
🚨 Texto com spoilers 🚨
Mais uma vez, cá estou eu para falar sobre "Stranger Things", mas, mais do que isso, falar sobre o encerramento de uma série que eu gosto muito, se bobear é uma das minhas favoritas, e é a maior série dos últimos dez anos, pelo menos desde o final de "Game of Thrones", em questão de repercussão, de público, de fanbase, de marketing, tudo. Essa série é o blockbuster que a Netflix vem tentando com diversos filmes nos últimos anos e nunca conseguiu, tudo o que ela queria está aqui em Stranger Things. E dá para definir essa como o blockbuster das séries, não há definição melhor para isso, ela não está no nível de qualidade e roteiro de séries como "Breaking Bad", "True Detective" ou "Succession", mas não precisa estar, seria a mesma coisa de reclamar que "Vingadores: Ultimato" não está no mesmo nível de um filme do Bergman, do Kurosawa, é óbvio que não está, mas não impede de ser bom, de você curtir e se empolgar com aquilo. Dito isso, chegamos na quinta temporada para a conclusão de toda essa história que começou lá em 2016, numa série pequena, um pouco mais contida, pobre, e chega aqui em 2025/26 com uma aura de blockbuster maior que muito filme que está no cinema. Dito isso, já irei me adiantar e falar que essa quinta temporada foi a mais fraca de toda a série, tem muita coisa boa nela, não dá para tirar os méritos, mas também tem muita coisa ruim, que não funciona, que dá uma baixada e termina num final agridoce, que poderia ter sido melhor, mas, poderia ter sido muito pior.
Na quinta temporada, Hawkins está sob quarentena militar após Vecna (Jamie Campbell Bower) abrir os portais para o Mundo Invertido no final da temporada anterior. 18 meses depois, os portais foram tampados por placas de metal e os nossos protagonistas tentam seguir a vida, mas ao mesmo tempo, agora eles estão atrás da confusão, indo em missões para o Mundo Invertido para derrotar o vilão. Hopper (David Harbour) e Eleven (Millie Bobby Brown) se refugiam, pois a garota está sendo procurada pelo exército, enquanto são ajudados por Joyce (Winona Ryder). Robin (Maya Hawke) e Steve (Joe Keery) tomam conta da rádio da cidade e são os mensageiros da equipe, contando com a ajuda de Jonathan (Charlie Heaton) e Nancy (Natalia Dyer). Enquanto Mike (Finn Wolfhard), Will (Noah Schnapp), Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin) se reúnem na escola e buscam acabar com isso o mais rápido possível, enquanto Lucas ainda mantém a esperança que Max (Sadie Sink) acorde do coma que ficou na temporada anterior. Em resumo é isso, depois a temporada vai se desenrolando e vão acontecendo mais coisas, mas isso eu vou dissertando ao longo do texto.
A temporada foi dividida em três volumes, numa estratégia de marketing da Netflix, que diga-se de passagem, deu muito certo, pois a série vem sendo o grande assunto do mundo nos últimos dois meses. Nisso, é preciso dizer que o Vol. 1, o primeiro bloco de episódios é excelente, eu gostei bastante do início dessa temporada. Depois, vem o Vol. 2, que aí tem uma queda brusca, é muito fraco, é muita explicação, muitas conveniências e pouquíssimas consequências. Aí, chegamos ao Vol. 3, o episódio final, que tem muito do ritmo e da excelência do Vol. 1, mas também tem muito das decisões fracas e inconsequentes do Vol. 2. Acho que por ter se tornado um estouro de popularidade, um grande sucesso comercial, muitas decisões foram tomadas pensando por uma possível reação do público do que por decisões autorais dos Irmãos Duffer. Existe, reportadamente, muita coisa que foi cortada da série, os episódios foram anunciados com durações bem maiores do que tiveram no final, e isso torna-se perceptível quando certos elementos são apresentados e arcos são colocados em cena, mas não tem consistência ali, é como se tivessem peças faltando no quebra-cabeça. Isso fica muito claro quando há um arco secundário dos militares caçando a Eleven, mas tem muito pouco tempo de tela, acaba que as vezes isso se perde e você se esquece desse ponto da narrativa, pelo menos do episódio 5 para a frente. Trouxeram a Linda Hamilton, a fucking Sarah Connor, para ser a vilã secundária da série, mas ela simplesmente não aparece e quando aparece não faz nada, poderia ser minha vó interpretando esse papel, porque, de verdade, até poderia ter sido bom, mas eu acho que com os cortes, foi o núcleo que mais sofreu narrativamente.
E eu reclamei lá em 2022 que faltava coragem dos Irmãos Duffer em matar algum dos personagens principais, pois se até hoje o personagem mais principal que tinha morrido era o Billy, não cria sensação nenhuma de perigo para os demais, eles criam diversas situações de mortes para diversos personagens, mas acaba que nenhuma delas acaba causando impacto, pois você sabe que eles vão dar um jeito de salvar aquela pessoa. Eles não tiveram coragem de matar nem a mãe ou o pai do Mike lá nos primeiros episódios, que causaria um impacto ferrado em pelo menos três personagens importantes da série. Criaram situações de morte para o Murray, a Robin, a Nancy, o Lucas, o Steve, o Hopper, o Dustin, o Jonathan e outros. Honestamente, eu não acreditei que nenhum deles ia de fato ir de ralo. Na real, é até um pouco corajoso dos Duffer manter quase todos vivos, eu entendo o que eles quiseram fazer, é o final anos 80, você não precisa de uma chacina para causar impacto, eles provam isso no epílogo, o que eu estou reclamando é que eles criam diversas situações, mas se eles vão sempre salvar o personagem antes de acontecer, não vale a pena ficar gastando tempo criando momentos que não terão impacto. Porém, quando eu falo de coragem, não me refiro apenas às mortes, mas também à falta de consequências que existem em diversas decisões, como eles trazerem a Max de volta, o que era previsível, mas ela volta ilesa, fica uns dias na cadeira de rodas e depois tá lá de boa de novo. O mesmo com o Will, estabelecem que ele é parte da Hive Mind do Mind Flayer, mas ele não sofre nada quando esta é destruída, não existe nenhuma consequência, ele nem sequer sente uma dorzinha na nuca que nem era antigamente.
Eu reassisti a série toda em 2025 para relembrar e também ver um pouco sem a cegueira do hype que eu estava quando vi pela primeira vez lá em 2022, então a minha opinião mudou em diversos pontos, uma delas é na quarta temporada, que eu adorei lá atrás, mas revendo ela tem muitos problemas, especialmente depois do episódio fatídico que é "Dear Billy", onde a série perde o ritmo e toma muito tempo em storylines insuportáveis como a da Rússia e a da Califórnia, e aqui acontece a mesma coisa, até o quarto episódio é uma baita temporada, é uma subida constante, um episódio mais legal que o outro, os protagonistas agora sendo ativos e indo atrás da treta, ao invés de esperar a treta chegar até eles, a cena deles metendo um "Esqueceram de Mim" no Demogorgon é excelente, toda a parada deles invadirem a base militar usando o Gordinho Ofensas, a batalha da base dos Demogorgons contra o exército é uma baita cena de ação bem dirigida, ali foi um ápice da temporada que pouca gente está lembrando e se encerra com um belo plot twist de que Will tem poderes, claro, depois a série responde que ele não tem poderes de fato, é apenas algo situacional pela relação que ele tem com o Vecna e o Mundo Invertido, mas, a revelação com ele tankando três demogorgons de uma vez só, essa cena é do cacete, eu comemorei como se fosse um gol do Brasil na Copa e olha que é um personagem que eu nem gostava.
Dentre essas decisões do Duffer, está uma que é deixar a carga dramática para os atores que realmente sabem atuar, então tem muito drama com a Max, o Lucas, o Dustin, o Steve, a Nancy, o Jonathan, e eles tiram o drama da Eleven, que só volta no episódio final, pois quanto mais cenas dramáticas da personagem, pior iria ficar, já que a Millie Bobby Brown é cada vez pior na atuação, ela não sustenta uma mísera cena de abraço, nem os abraços dela são convincentes, ela faz umas caras e bocas que parece que ela está tentando moggar os betas o tempo inteiro. Mas, é a única personagem principal que acaba sucumbindo, aí para mim vem um problema de que não foi nem por conta do Vecna ou do Mind Flayer, ela decidiu se sacrificar por entrar na pilha da irmã dela (que é outra personagem terrível, eu nem sei porque trouxeram essa mina de volta, a atriz é ruim e o texto da personagem é pior ainda, eu comemorei quando ela morreu) e tem uma cena de sacrifício que é bonita, não vou mentir, foi bem feita, os moleques atuando vendo ela ir embora mandaram muito bem, ainda por cima ao som de "Purple Rain" do Prince. Mas, vem a questão do final em aberto, que eu gostei de ser aberto, pois fica a pulga atrás da orelha de que se ela sobreviveu ou se é apenas uma forma do Mike lidar com o luto inventando essa história que ela está viva e em um lugar distante. Eu confesso que precisei rever algumas cenas para chegar nessa conclusão, mas a Eleven de fato morreu, o Mike só começou a pensar na possibilidade dela estar viva quando ele escuta uma falha no som na formatura que remete ele ao dia da morte dela, é por isso que ele tem a ideia de encerrar a campanha do D&D naquela noite e compartilhar essa crença que ele tem, só que é o jeito que ele tem de lidar com o luto e seguir em frente.
Entretanto, do jeito que o fandom dessa série é lobotomizado e burro, daqui a pouco vem os Duffer explicar o final, e eu confesso que, independente da resposta, eu não vou curtir, pois tira essa questão da discussão, das diferentes visões, vira o final de Cavaleiro das Trevas Ressurge que você tem a confirmação de que o Bruce Wayne sobreviveu à explosão ao invés de só deixar a pulga atrás da orelha, é a mesma lógica, independente do que os Duffer disserem. E isso de explicações e respostas é mais um problema da série nessa temporada, já que eles passam praticamente três episódios só explicando. O Dustin acha a bíblia da série em cima da mesa, deixaram lá e ele achou, descobrindo todas as respostas sobre o Mundo Invertido de uma vez só. Existem pelo menos três situações onde os personagens pegam objetos do cenário e começam a explicar conceitos da série, e explicar não é o problema, o problema é que eles estão sempre certos, eles dão os chutes mais certeiros que existe e isso tira um pouco do espírito, eles não falham quase nenhuma vez. A única falha deles é no episódio final, onde eles calculam errado a distância da Torre para o portal e nessa o Steve quase morre, mas no final a Eleven faz o mewing dela e salva antes de dar ruim de fato, de qualquer forma é um erro que não atrapalha em quase nada. A Robin mata rápido o mistério da Hive Mind, o Steve quem tem a ideia do plano final para derrotar o Vecna, são umas coisas muito bobas que eles querem que a gente compre na boa. E nessa o Mike e a Nancy, dois dos mais inteligentes, também são burros ao sequer pensar na possibilidade do Vecna ser o amigo imaginário da irmã deles. É uma inconsistência bizarra, parece que cada volume foi escrito por alguém diferente que não tinham contato uns com os outros.
Agora, chega de criticar um pouquinho, bora falar sobre os personagens. Eu gostei do Mike nessa temporada, ele é deixado de lado mais para o miolo da série, mas eu curti como eles constroem essa figura dele como o líder, como o storyteller, a relação dele com a Holly é muito boa, e deram um resgate nele em si, deixaram ele mais próximo do que era na primeira temporada e menos como o cara do discurso motivacional para a Eleven. A Eleven eu já falei, é pífia, é esquecida, porque a Millie é uma péssima atriz, mas é a única que encerra o arco com o sacrifício, acaba que a morte dela tem um impacto emocional importante que eles não tiveram a temporada toda. O Dustin é muito bom, como sempre, o Gaten Matarazzo é um ótimo ator, e o drama do Dustin nessa temporada, como ele lida com o luto do Eddie, como ele se esconde nessa persona mais contida e raivosa, mas na verdade está frágil e busca esconder isso, esconder os sentimentos dele quanto a isso acontecer de novo com o Steve ou outros de seus amigos é realmente muito bom, ele entrega muito no drama, ele tem tiradas cômicas excelentes e a cena dele recebendo o diploma, fazendo o discurso, mandando o dedo do meio para o diretor e sorrindo, assim como o Eddie faria, é o encerramento perfeito para o arco desse personagem, é até por isso que eu não consigo classificar o último episódio com uma nota menor que 7, apesar de que eu gostaria, mas pô, o tanto que isso me fez feliz é indescritível.
O Will é o personagem que mais cresceu nessa temporada, se tornou, finalmente, um personagem que dá para gostar, que tem um arco e não fica só sendo esquecido ou sequestrado, ele torna-se ativo, ele fica bad-ass. Ele é o protagonista de duas das melhores cenas da temporada, que é ele desbloqueando os poderes e a dele entrando na Hive Mind e quebrando a perna do Vecna. Junto com ele vem toda a questão da homossexualidade dele, que aqui finalmente é colocada à prova e não apenas num subtexto aberto, tem a cena polêmica dele saindo do armário, que causou uma divisão e, bem, não estou no lugar de fala para dizer se foi fiel à realidade ou não, mas narrativamente é uma cena importante e que causou um impacto emocional interessante ali naquele momento, apesar de ter uns aleatórios ali na sala tipo a irmã da Eleven, o professor e a Erica. Para encerrar o quarteto principal, o Lucas é um dos melhores personagens da série, é o que mais evolui do ponto que ele estava no primeiro episódio para o ponto que ele está no último, ele que sempre foi o cínico e a voz da razão, que chega em uma determinada cena e fala que já não acredita mais em coincidências, é uma demonstração de amadurecimento muito interessante, eu realmente admiro muito mais o arco dele depois de rever a série toda, ele é brabo demais, o Caleb McLaughlin é um ator excelente e traz essa evolução do personagem de um jeito muito genuíno.
A Max, eu acho que ela deveria ter morrido na quarta temporada, honestamente ela estar viva foi uma das melhores partes da temporada, mas é uma das melhores partes na pior temporada, sinceramente ela funciona pelo talento da Sadie Sink, que arrebenta nesse papel, de longe a melhor atriz da série, o que ela entrega em cena é bizarro, os discursos dela, a cena dela voltando e se reencontrando com o Lucas, o impacto emocional que ela tem, só prova o quanto ela é excelente. Ela vira, factivelmente, a protagonista feminina da série, nitidamente existe a noção de que a Millie é péssima e a Sadie é ótima, aí jogaram toda a carga dramática para a ruiva, o que foi a decisão certa a se fazer, nessa temporada ficou claro que não dá para jogar nenhum momento dramático na mão da MBB. Eu gostei da subversão que existe na personagem da Max, dela ser introduzida na série ali com seus 12/13 anos e precisar ser cuidada pelo Steve na primeira temporada dela, e agora ela é a adolescente cuidadora, criando uma relação com a Holly que é excelente. Holly Wheeler, a personagem mais figurante das temporadas anteriores, agora ganha um destaque, uma nova atriz, e diga-se de passagem, que menina excelente, entrega uma personagem que evolui cada vez mais ao longo dos episódios e traz um desenvolvimento notório em um drama que ela passa muito bem, a dupla dela com a Sadie é o melhor combo de atuação que a série tem a oferecer.
Sobre os demais personagens, nenhum deles tem lá grandes arcos, mas existem conclusões para todos, pelo menos os mais principais. A Nancy tem um final meio confuso, acho que poderia ter sido melhor explorado, mas ela tem uma cena com o Jonathan que foi perfeita, que foi a reconciliação dos dois e ao mesmo tempo o término, essa cena foi um absurdo de boa, os dois arregaçaram na atuação ali. O Jonathan, que se vocês lembram bem, é meu personagem preferido da série, no final dele, ele vira o Sam Raimi, vai para a faculdade de cinema e começa a fazer filme de terror experimental anticapitalista, que é totalmente de acordo com o jovem artista solitário e punk que ele era no início, ele se recuperou nessa temporada do estrago que causaram nele na anterior, ainda bem que removeram aquele amigo maconheiro insuportável dele também, foi um final digno para o meu GOAT. Outra GOAT é a Robin, que o grande highlight dela na temporada foi a amizade com o Will, fundamental no volume um, e os diálogos dela sobre o pau, ela, o Lucas e o Mike se passaram nessa aí, mas eu ri demais, ápice cômico da temporada foi essa cena. Exploram pouco a questão do relacionamento dela com a Vickie, um relacionamento lésbico nos anos 80, tanto que termina sem uma conclusão propriamente dita, ela foi embora e provavelmente seguiu em frente. Honestamente, esse final mostrando a amizade dos adolescentes, agora adultos, foi um momento especial, que é o momento de crescimento entre eles, o Jonathan não estava presente nessa dinâmica na temporada anterior, mas conseguiram encaixar ele muito bem nessa, até o próprio fato dele ser deslocado e esquisitão ajuda nisso.
Agora, precisamos falar sobre ele, o favorito da maioria, um dos meus favoritos também, o Steve, que teve o final mais digno entre todos os personagens. Ele ter virado professor era o destino, ele sempre foi a babá, o cara que cuidou das crianças a série inteira, ele também nunca teve muita certeza do futuro dele e ele perceber que a vida dele é isso, que ele é bom nisso, cuidando das crianças e ajudando elas a se desenvolver, foi o encerramento perfeito que ele merecia. Ele tem bons momentos durante a temporada, o arco com o Dustin é muito bom. Mas, importante denotar, ele literalmente vira o professor do sexo, talvez ele tenha sido o grande mentor de Skyler Gisondo, vai saber. O Hopper, esse final também me deixou com um sorriso no rosto, ele merecia alguma felicidade, ele foi o cara que mais perdeu durante a série toda e esse final dele se mudando e se casando com a Joyce era um momento merecido, esperado, na temporada em si, o David Harbour está claramente com preguiça, só no último episódio ele se esforçou mais, mas deu para concluir bem. E a Joyce, bom, ela tá lá, fica sempre no canto enquanto todos os outros estão colocando a vida em risco, mas eu gostei que foi ela que matou o Vecna em definitivo, arrancando a cabeça dele, e a cena de todo mundo vendo e relembrando o porquê eles estavam ali, de tudo o que eles passaram, aquele é um momento que justifica ninguém ter morrido, eles mereciam a felicidade após tudo o que passaram, foi um momento que eu achei muito bom, desnecessário? Talvez, mas dramaticamente foi excelente.
O Murray funciona como o contrabandista, ele é o Adam Sandler da série, então sempre vai ter alguma gracinha engatilhada para ele fazer e ele continua por aí. A Erica é a melhor coadjuvante da série, o potencial cômico dessa menina é de outro mundo e ela é uma personagem que honestamente faz falta em alguns momentos, as tiradas dela são quase sempre excelentes, é uma das minhas favoritas. Eles trouxeram o grandioso Sr. Clarke e fizeram ele ser parte da turma nos últimos episódios, ele não tem lá um grande arco, ele ajuda a encontrar o Dustin, mas ele agora está envolvido ali no meio e torna-se suficiente para ele ter alguma importância, é a valorização da figura do professor também, mostrando o ciclo se concluindo, já que ele que era o grande mentor da primeira temporada, retorna para encerrar esse arco na última. O Derek, vulgo Gordinho Ofensas, foi um excelente alívio cômico também, é impressionante como quase nunca ele erra o timing cômico, na primeira cena ele já dá uma de Cartman absurda, esse guri foi o verdadeiro protagonista da temporada, só cenas excelentes. E também tem os secundários fracos, como a própria personagem da Linda Hamilton que é bem ruim, tem um Guy Gardner da Shopee no exército, que só serve para ter uma cena muito braba da Eleven fazendo ele se matar, mas de resto é só um vilãozinho genérico pífio. E a irmã da Eleven, que mais uma vez, trouxeram essa personagem de volta para nada, ela só explica as coisas, tem uns papo torto sobre suicídio e morre de uma forma que eu mais comemorei do que fiquei triste.
Agora, o Vecna, esse aí teve a maior queda da temporada anterior para esta, saiu de um baita vilão, ameaçador, imprevisível, e virou o Barney, amigão da criançada. Cara, ele simplesmente esqueceu que tinha poderes, tanto potencial que tinha para realizarem com ele aqui, ele devia entrar na mente de todo mundo e arregaçar com todos eles por dentro, acrescentava muito mais peso dramático para a temporada. Ele só faz isso duas vezes, uma com o Will, numa cena claramente cortada, que com certeza tinha mais coisa ali, tanto que fica confuso depois o que exatamente foram as visões usadas contra o Will. A outra vez que ele faz é com o Hopper no último episódio, numa cena que é um lampejo do baita vilão que ele foi na temporada anterior. Mas, o material dele foi fraco, ele foi escanteado, e eu honestamente fiquei com pena do sãopaulino Jamie Campbell Bower, pois quando precisou do potencial dramático ele entregou demais, se bobear é o ator mais talentoso da série, ele tem excelentes cenas na performance, especialmente uma na caverna no último episódio, em que ele se assume como o grande vilão, como o verdadeiro devorador de mentes, mas é só um lampejo mais uma vez. Que queda brusca, que decepção, texto fraquíssimo.
Enfim, que fique claro que a nota é positiva, mas com muita ressalvas, pois é mais pelo volume 1 e pelos últimos quarenta minutos do que pela temporada como um todo. Não chega a ser ruim, mas "Stranger Things 5" é uma queda brusca das temporadas anteriores, que claramente tem coisa por trás, envolvendo interferências da Netflix, mas os Irmãos Duffer foram covardes em diversas decisões narrativas, não falo nem dessa questão de não matar ninguém, porque acho que isso se justifica, mas eles são muito inconsequentes diversas vezes e isso mais atrapalha do que ajuda. Todos os personagens são videntes, nenhum deles tem alguma hipótese errada, todos bancam o Nolan em algum momento usando objetos de cenário para explicar conceitos para burros. Dito isso, acho que foi um final justo, não o ideal, não o que eu gostaria, mas foi justo com os demais personagens, e poderia ter sido muito pior também, não é um final terrível, não chega perto de ser como um Game of Thrones da vida. Honestamente, gostaria de ter começado a acompanhar antes, talvez o impacto teria sido até maior, mas mesmo sendo um fã tardio, vou sentir falta desses personagens, é uma série gostosinha, um blockbuster divertido, gosto muito dos personagens e creio que foram eles que sustentaram a série por tanto tempo. Essa galera é muito boa, os atores (com exceção da Millie Bobby Brown) são ótimos e essa vibe de aventura oitentista, de diversão, mesmo em meio ao terror, ao suspense, à ação e tudo mais, isso jamais pode morrer. Obrigado, Stranger Things, foi legal enquanto durou o grande blockbuster da Netflix.
Nota - 7,0/10
Nota por episódio:
5x1: "Chapter One: The Crawl" - 8,0/10
5x2: "Chapter Two: The Vanishing of Holly Wheeler" - 8,0/10
5x3: "Chapter Three: The Turnbow Trap" - 8,0/10
5x4: "Chapter Four: Sorcerer" - 9,0/10
5x5: "Chapter Five: Shock Jock" - 5,5/10
5x6: "Chapter Six: Escape from Camazotz" - 9,0/10
5x7: "Chapter Seven: The Bridge" - 6,0/10
5x8: "Chapter Eight: The Rightside Up" - 7,0/10