Crítica - Valor Sentimental (Affeksjonsverdi / Sentimental Value, 2025)

O melhor filme de 2025?

Falei de Joachim Trier por aqui quando há alguns anos atrás trouxe para cá "A Pior Pessoa do Mundo" (2021), um filme que eu não tinha expectativa alguma, só vi porque estava nomeado nas listas do Oscar daquele ano para Melhor Filme Internacional e Melhor Roteiro Original, e foi uma grata surpresa, porque não só eu gostei bastante, como foi um dos meus favoritos daquele ano, entrando no meu top 10 de 2021 e tinha margem para ser top 5. Dito isso, cá estou quase cinco anos depois para falar da nova obra da parceria que teve lá em 2021, de Trier na direção, co-escrevendo com Eskil Vogt, e Renate Reinsve no papel principal, que nos traz um filme que ganhou muito mais visibilidade e notoriedade, tanto pela internacionalização que Hollywood tem recebido desde lá, abrindo muito mais margem para estreia e visibilidade de filmes fora dos EUA, quanto na Academia diversos filmes sendo bastante indicados nos últimos tempos. Com esse não foi diferente, acredito que tenha sido até na esteira do anterior do realizador, pegou uma visibilidade absurda desde o início, trabalhou com atores grandes de Hollywood neste aqui como Stellan Skarsgård, voltando a atuar na Escandinávia, e a Elle Fanning, uma recepção fora dos padrões e múltiplos reconhecimentos em premiações, com o total de nove indicações ao Oscar e todas em categorias importantes, quatro atores nas categorias de atuação, indicações para filme internacional, roteiro original, montagem, direção e, claro, melhor filme. Mas, será que é uma atenção que foi exagerada? Ou realmente merece todos os louros pelo o que é este filme? Merece o Oscar, mesmo sendo um concorrente direto do nosso brasileiro "O Agente Secreto"? Adiantando: merece, que filmaço!

Após a morte de sua mãe, Nora (Renate Reinsve), uma renomada atriz de teatro na Noruega, e sua irmã Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas), uma historiadora, precisam lidar com o retorno do pai, o renomado cineasta Gustav Borg (Stellan Skarsgård) à sua vida, já que o mesmo as deixou após o divórcio com a mãe delas. Com seu retorno, Gustav traz consigo um novo roteiro que ele vêm trabalhando, que ele diz ser seu melhor projeto, e também diz que escreveu o papel principal pensando em Nora para interpretá-lo, mas ela recusa devido aos diversos problemas que ela tem com o velhote. Nisso, ele acaba contratando a estrela em ascensão de Hollywood, Rachel Kemp (Elle Fanning), que se apaixona pelo estilo de storytelling do diretor e decide embarcar com ele nessa jornada, mesmo sentindo que esse papel talvez não seja para ela. É um filme sobre cinema, mas, especialmente sobre família, fala como as experiências familiares e questões geracionais em casa família acabam impactando não só na vida pessoal, mas também na vida artística, em como os artistas lidam com sua própria vida, suas vivências, suas histórias e seus problemas através da arte, e trazer essa questão familiar conturbada para esse ambiente de arte é perfeito, ajuda a deixar mais claro o quanto cada um daqueles personagens passa e/ou passou por problemas ao longo da vida, como esses problemas são relacionados com a família e como a arte impactou nesse processo.

Acompanhamos esses três personagens principais, que são o pai e as duas filhas, e como cada um lida com suas questões. Aqui não existem vilões, não existem problemas impossíveis de serem resolvidos, existem apenas pessoas frágeis, quebradas pela vida, que tem questões que eles não tentam lidar, pois quando tentam, sempre acabam se frustrando mais ainda. É uma família problemática desde sempre, as gerações mudam, mas os traumas ficam, as mesmas questões são pertinentes. Sempre existe um porquê, nada é por acaso, ninguém age por coisas do nada, sempre existe uma culpa, que pode vir de qualquer lugar, e geralmente é de dentro da própria família. Acompanhamos quatro gerações da mesma família: o neto (Erik, filho de Agnes), as filhas (Nora e Agnes), o pai (Gustav) e a avó (Karin, mãe de Gustav) e, nisso, vamos descobrindo aos poucos o porquê cada um deles ser do jeito que é, e como a geração passada sempre impactou nos maiores problemas da seguinte. Karin, mãe de Gustav, não aparece propriamente em cena, mas toda sua história é contada através de flashback, onde descobrimos que ela era parte da resistência durante a ocupação nazista da Noruega durante a Segunda Guerra Mundial, e que tudo o que ela passou resultou em seu suicídio quando seu filho tinha apenas sete anos de idade. Esse trauma de ter sua mãe fora de sua vida impactou diretamente na relação do diretor com suas filhas, que impactou diretamente na relação delas duas, e agora elas tentam evitar que isso passe à frente.

Gosto de como o Joachim Trier trabalha a sensibilidade desses personagens, como eles são tão frágeis, mas tão palpáveis que você sente em você o quanto eles estão perto de quebrar a cada segundo, como sempre que eles estão juntos em cena existe sempre algo a mais do que a superfície do que está acontecendo. Aqui, nesse filme, o Trier claramente se inspirou bastante no cinema de Ingmar Bergman para a constituição narrativa, dá para sentir em cada cena, cada personagem, cada ângulo de câmera, o que ele está querendo dizer e o quanto remete ao cinema de Bergman, mas acho que se reflete mais emocionalmente, nessa questão de criar personagens tão humanos, que tem questões tão reais, e trabalhar isso de um jeito que é sensível, que te quebra por diversas vezes, ver como aquela família se quebra dentro dela mesma. Gustav teve traumas vindouros de sua mãe, e ele, por medo, e talvez até mesmo sem perceber, passou seus traumas adiante para suas filhas, especialmente Nora, que é a mais velha e a que mais tem vívido em sua cabeça tudo que ela passou estando no meio da relação conturbada de seus pais e tendo que ser uma cabeça pensante para proteger Agnes. Essa maneira de lidar com os problemas evitando-os é dolorosa, isso fica claro em quase todas as cenas, que esse fingimento de estar tudo bem, quando você claramente nota que não está nada, machuca, causa uma agonia tremenda, causa um desconforto, e uma dor que é difícil de processar.

Quando você nota que não está nada bem entre os personagens, quando você vai para cada um deles, a situação é pior ainda, é aí que fica claro o impacto das ações passadas no presente deles. A começar pela Nora, que é a protagonista do filme, cujo o arco dela é totalmente criado na volta de seu pai, não tanto em como ela se sente em quanto a ele, mas como tudo o que ele fez impacta nela até hoje, como ela absorveu as rachaduras do pai dela, assim como a casa da família. Antes de continuar na Nora, preciso falar sobre a casa da família, que é quase um personagem dentro do filme, e como a jornada dos personagens reflete no que ocorre com a casa também, é algo muito bem trabalhado, bem desenvolvido, como a casa era toda colorida, antiga, bonita, vívida, mas era rachada, cheia de traumas, lotada de sofrimento e tristeza em sua antiguidade, e como ao final fazem uma reforma, tiram essa cor, modernizam a casa, deixam ela mais aesthethic, diz que ali foi onde a vida se perdeu, onde a essência foi rachada, mas também superou tudo isso e houve um recomeço, uma nova vida ali, pois não dá para ignorar os traumas, mas dá para lidar com eles, passar uma massa, uma tinta por cima, para olhar para trás e seguir em frente, pois o passado já aconteceu, já teve seus altos e baixos, o que vem pela frente é novidade, é uma oportunidade de poder começar de novo. Que mensagem, senhores, que mensagem.

Voltando para a Nora, já que eu pausei o parágrafo anterior para falar de outra coisa, apesar de ser claramente correlacionada com a personagem, vou falar dela em si. Essa relação conturbada com o pai, o fato dela ser a primogênita, a que tinha mais cabeça, mais noção quando tudo aconteceu, o divórcio dos pais, e como todos os problemas do pai refletem no que ela se tornou hoje em dia, mostram que ela tenta fugir, tenta ignorar, mas a figura do pai dela reflete nela o tempo todo, e isso talvez não seja necessariamente ruim. Uma boa parte do longa é sobre tempo, sobre a perda dele e se existe chance de recuperar. Gustav perdeu o tempo com sua mãe, ela se retirou da vida dele muito cedo, ele não teve como recuperar, e isso que ele tenta fazer quando oferece o papel à Nora. Como atriz, Nora é talentosa, visivelmente bem sucedida nos palcos de Oslo, arrebata multidões, mas isso não significa que ela não enfrente seus problemas da forma mais simples, ela vive tendo crises e ataques antes de suas performances, problemas pessoais que quando ela acha que vão voltar para o passado, de alguma forma eles retornam. Por isso é interessante ver como Gustav enxerga sua mãe na sua filha, vê semelhanças entre as duas, não só na questão de uma ter se matado e a outra ter tentado, como a destreza que ele enxerga em ambas é a mesma, a questão é que uma ele não teve como salvar, não teve como ajudar, não podia fazer nada, enquanto a outra ele está tendo a oportunidade não só de realizar isso tudo, como também de se resolver com ela, de ter esse entendimento e de perceber que ele e ela não são tão diferentes quanto ela quer que seja.

Daddy issues canta solto nesse filme, até a vida amorosa dela é impactada nisso, num relacionamento que ela tem com um de seus colegas que é casado, interpretado pelo Anders Danielsen Lie (que aqui tem um papel bem pequeno, mas lá no A Pior Pessoa do Mundo me fez chorar com a atuação dele), e como ela nessa posição de ter esse amor proibido, de não poder ter essa liberdade de sentimento exposta, consegue entender como seu pai, e até sua mãe, se sentiam naquele relacionamento deles, e como ela absorve até hoje o casamento dos pais de uma maneira que ela nunca chega na pura compreensão, mas vai repetindo alguns erros sem perceber. Sensacional, cara, absurdo, e olha que isso tudo nem é dito no filme, são coisas que você tira apenas por ações, enquadramentos e diálogos, que acabam dizendo mais do que qualquer explicação ou coisas do tipo. A Renate Reinsve nesse filme está um absurdo de boa, que performance sensacional, como ela traz essa faceta da personagem, essa questão dela ser como o pai e não perceber, mesmo que de um jeito diferente, a proteção dela com a irmã, com o sobrinho e como ela lida com tudo isso que ela passa, com o luto, com os problemas paternos, com o amor proibido, a rejeição e a falta de autoaceitação, é brilhante. Ela tem duas cenas que me convenceram bastante disso, o aniversário do sobrinho dela seguida da discussão que ela tem com o pai para a cena que ela interpreta no teatro, com a cena que a Agnes assume para ela que ela foi quem a protegeu durante toda aquela infância conturbada, pois o tanto que a Renate é multifacetada é bizarro, ela não precisa nem falar, só no olhar você já sente o que ela sente, o que ela passa, como se o rosto quisesse passar uma coisa e os olhos estivessem a contradizendo, isso é sensacional.

Indo para a irmã, a Agnes, é uma personagem bem mais coadjuvante, mas que tem sua relação com o pai também muito bem explorada. Ela é "a irmã que deu certo", à primeira vista: casada há anos, com filho, um emprego estável, um bom casamento, e ela é a que tenta se dar bem com o pai. Isso é triste, porque geralmente são os mais novos que buscam mesmo essa relação com um pai ou uma mãe ausente, que não lembram ou não tem noção do que era a vida com os dois pais juntos, e isso é muito pesado, especialmente na forma como o Trier trabalha aqui, pois é um sofrimento silencioso, ela tenta lidar do jeito dela, com calma, com tranquilidade, com empatia, mas até ela depois de pensar e aguentar tanta besteira nessa busca por aproximação acabou quebrando, porém, nem isso a impediu de ir tentar buscar entender seu pai. A parte dela é pesada, justamente porque ela é a que tenta entender, tenta perdoar, mas olha para trás e nota que nem tudo era como ela gostaria que fosse, o pai dela colocava ela para atuar nos filmes dele quando ela era criança, mas isso não os aproximou, foi uma compensação vazia, e agora ela teme que isso se repita com seu filho. Porém, ela passou por tudo isso, constituiu família, tem uma carreira sólida e tudo mais, ela não deixa se definir pelos erros do passado igual a sua irmã, apesar de ter seus remorsos. Tem uma cena, mais para o final, onde ela está com a Nora, e a irmã mais velha questiona: "Como você conseguiu? Mesmo com a infância que tivemos?", e ela responde: "Não tivemos a mesma infância, eu tinha você lá, você cuidava de mim". Cara, nessa aí eu quase fui, o poder que esse diálogo entre elas tem é indescritível, é belíssimo. E a Inga Ibsdotter Lilleaas? Entreguem as taças, que atuação absurdamente espetacular, ela mal precisa falar para você entender a personagem, as melhores cenas dela são apenas absorvendo as informações, buscando, e é a mesma coisa da Renate, existem facetas aqui que o olhar diz muito mais do que qualquer palavra, nela isso se encaixa até mais, já que ela tem menos tempo de tela. A cena que ela vai atrás da história da avó é maravilhosa, a última conversa dela com o pai antes de ler o roteiro, todas as cenas dela são maravilhosas, ela mandou bem demais.

Agora, falando sobre o pai, o Gustav, que apesar de estarem colocando o Stellan Skarsgård para melhor ator coadjuvante em todas as premiações, ele é praticamente o personagem principal dessa trama. Honestamente, não chego a considerar trapaça de categoria, acho que é ok ele estar como coadjuvante, até pelo tempo de tela, mas toda a questão central de toda a narrativa gira em torno dele. É aquele velho conflito do artista e sua vida pessoal: onde acaba o artista e começa a pessoa? O que ele quer dizer com suas obras? E isso reflete bem o personagem, pois, que do que adianta ser um diretor renomado, um cineasta condecorado, mas nem sequer ser presente na vida das próprias filhas? Preferir se esconder atrás de suas obras ao encarar a vida real? Ele é um cara que errou muito, que teve muitas atitudes babacas, mas até nisso, você consegue entender o lado dele, com toda a questão de trauma que ele absorveu da geração passada, ele tem esse medo, essa fuga, de se tornar igual à mãe dele, até por isso que ele escreve esse roteiro, já que ele mescla o que ele sente pela mãe pelo o que ele sente pelas filhas, especialmente a Nora, numa sessão de terapia que fala mais dele do que a mãe ou a filha. E o Stellan Skarsgård está sensacional nesse papel, ele traz essa persona muito bem, de um velho bêbado meio egoísta e babaca, mas que seu egocentrismo e sua babaquice são "justificáveis", já que ele também foi uma vítima de uma espécie de sofrimento que agora suas filhas também estão passando, o famoso trauma geracional, e como ele trata a arte como primária para tentar se privar de suas responsabilidades é bem construído. A cena final entre ele e a Renate, meu irmão, nenhuma palavra é dita, mas o rosto deles já diz tudo: "agora eu te entendo", tanto ele entendendo o lado dela nesse quesito de se sentir abandonada, quanto ela entendendo o porquê dele ser assim. E o Stellan é carismático também, ele tem esse plus, ele é meio conquistador no carisma dele, até na cena que ele dá uns DVDs de uns filmes absurdos para o neto de sacanagem (essa cena é boa demais, ele dizendo para o guri ver "A Professora de Piano" para entender as mulheres me quebrou).

E tem outra personagem que vem de fora desse núcleo familiar, mas que acaba impactando diretamente nele também, é a Rachel, interpretada pela Elle Fanning, que é uma estrela de Hollywood contratada pelo Gustav para fazer o tal filme. Ela tem um papel bem interessante, já que tudo bem, ela é a tal da grande atriz hollywoodiana que quer fugir e encontrar o real talento em um filme mais independente, mais artístico, com um diretor europeu renomado, todo dia a gente vê uma dessas, e aqui torna-se interessante pelo contraponto que existe dela com as filhas, já que o Gustav acaba tornando-a o centro de seu mundo enquanto trabalha no filme, ela é a protagonista, ela é o foco de toda a atenção possível, isso acaba fazendo com que as filhas, especialmente a Nora, se sintam diminuídas, como se para o pai elas não significassem nada, isso é demonstrado com maestria numa cena que a Nora passa por uma estação de metrô e está lotado de propagandas de perfume cujo o rosto da marca é a Rachel, essa cena é uma daquelas que não precisam de palavras, só a imagem já diz tudo perfeitamente. A Elle Fanning está muitíssimo bem, especialmente nessa questão dela ser essa atriz insegura, que não sabe se é talentosa ou apenas um rostinho bonito, ela quer ter uma provação, ao mesmo tempo que ela sente que esta não é certa, que ela está num papel que não deveria ser dela, a cena dela com a Nora é muito boa para demonstrar isso tudo. Ela se sente deslocada, e faz muito sentido até com a própria Elle Fanning, já que ela é uma atriz que está aí em uma cacetada de filmes todo ano, só em 2025 acho que ela estava em uns quatro, uma das mulheres mais lindas do mundo, e ela se desloca até a Noruega e faz um filme desses, por mais que ela só fale em inglês, ela está fora da zona de conforto, acho que combinou perfeitamente ela aqui, o filme não seria a mesma coisa sem ela.

Vou encerrar por aqui, tem muita coisa a ser dita sobre este filme, muita mesmo, mas eu acho que consegui extrair o principal de uma obra como essa, mas não sei se totalmente, pois é um filme tão lindo, tão profundo, tão cheio de camadas, tão cheio de vida, de desenvolvimento, de humanidade, que torna-se difícil falar sobre o que tem ou não tem, com certeza tem muito mais coisa a ser dita, a discussão sobre vai muito além do que eu apresentei aqui. Com isso, "Valor Sentimental" é, de fato, um dos melhores filmes de 2025, um drama absurdo, muito bem trabalhado e tão bem construído, que fica difícil de não ser impactado por uma obra tão profunda, tão bela, tão cheia de vida como essa. É um filme pesado, é triste, pode ser difícil de assistir ou soar chato para alguns, mas é daqueles filmes que se tu embarcar na jornada e abraçar a narrativa de cada um daqueles personagens, você vai ter uma experiência maravilhosa, eu particularmente comprei desde o início e tive uma experiência tão imersiva que mal vi o tempo passar, é quase como se eu estivesse realmente lá dentro. Atuações impecáveis, um trabalho de casting absurdo, diálogos lindos, direção então nem se fala. Eu sei que ele é o concorrente direto do nosso "O Agente Secreto" no Oscar, eu tenho essa noção, mas, honestamente, esse aqui é muito melhor que o filme do KMF. Vou torcer para meu Brasil? Pra car4lh0, mas esse aqui ganhando não vai me deixar triste, não é que nem ano passado que qualquer um que batesse "Ainda Estou Aqui" seria um absurdo levar, esse aqui é cinema e merece todos os louros que vem recebendo, um dos filmes mais lindos dos últimos tempos.

Nota - 9,0/10

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